Reajuste de aluguel em 2021: o que fazer quando sobe?

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O ano de 2021 começou assustando milhões de locatários em todo o país. O principal indicador para reajuste do aluguel IGP-M, fechou 2020 em 23,14%. Pegando de surpresa quem tinha contratos com aniversário em janeiro.

Afinal, sempre que há um aumento destoante da média, os locatários sofrem dificuldades para pagá-lo. Como resultado, alguns tiveram que mudar de imóvel.

Algo prejudicial também para os locadores, pois perdem bons locatários e a fonte de renda advinda do aluguel.

O que fazer nessa hora?

O que propõe a Associação das Administradoras de Bens, Imóveis e Condomínios – AABIC?

De acordo com a maior entidade do setor, o mercado é suficientemente autorregulado e muito maduro para absorver as variações atípicas dos índices. Como é o caso do IGP-M.

“Quando há discrepância em índices e a economia vai mal, locadores e locatários se compõem em negociações. São capazes de estabelecer novos valores de aluguel ou corrigir contratos defasados.

Não é porque o índice destoou que todos devem aplicá-lo. Sempre prevalece o bom senso do mercado”, avalia o diretor da entidade Graiche Junior.

Portanto, a recomendação nesse momento é o DIÁLOGO entre locatário, imobiliária e locador.

Da mesma forma como ocorreu no início da quarentena. Quando muitos contratos foram ajustados para comportar a dificuldade financeira de muitas famílias.

A experiência mostra que o mercado se ajusta

A posição da AABIC é sustentada por experiências passadas. Graiche Junior lembra de dois episódios: um entre maio e dezembro de 2017, outro entre janeiro e fevereiro de 2018.

Nesses dois momentos as negociações tornaram possível inverter a rota e fechar o IGP-M em negativo.

“Assim como no início da quarentena, onde as partes negociaram e o mercado se ajustou, a recomendação atual é que deve ser vista da mesma forma”, compara o presidente da AABIC.

Graiche também chama atenção que os preços negociados com o IGP-M influenciam nos valores do mercado.

O que é o IGP-M?

Índice Geral de Preço ao Mercado, o IGP-M, trata-se do indicador mais tradicional do mercado, medido e divulgado pela Fundação Getúlio Vargas desde 1940.

O IGP-M se organiza em três partes que medem a variação do preço de acordo com a inflação:

  • Índice de Preços ao Produto Amplo (IPA): envolve o comércio de Atacado;
  • Índice de Preços ao Consumidor (IPC): envolve o impacto do preço na disponibilidade do mercado;
  • Índice Nacional de Custo de Construção (INCC): envolve a participação da construção civil em produção e mão de obra.

Uso do índice no reajuste do aluguel

A adoção de um índice de reajuste na elaboração dos contratos é importante para que o valor negociado esteja de acordo com o preço de mercado.

A associação defende a importância do IGP-M por considerar ser o que melhor corresponde à complexidade do mercado. O índice já vem sendo usado como referencial de negociações a mais de trinta anos no mercado imobiliário.

A posição é reforçada pelo presidente da AABIC, José Roberto Graiche Junior.

“O IGP-M sempre refletiu a realidade da inflação dos negócios, enquanto outros índices medem a inflação de produtos e serviços controlados pelo governo”.

Confiança no mercado

A proposta da AABIC passa por sugerir que as negociações de reajuste nos contratos imobiliários sigam o IGP-M. Oferecendo assim, uma base onde locatários e locadores cheguem a um acordo razoável.

O apoio ao IGP-M reforça a confiança no mercado de apresentar meios seguros para conduzir negociações. Considera que o mercado tem mecanismos eficientes de autorregulação e maturidade para absorver variações não típicas.

Por que o IGP-M está sendo questionado?

A pandemia não é o único fator que está impactando na continuidade do IGP-M como índice de reajuste do aluguel.

A influência das novas tecnologias para compra e gestão de imóveis contribuiu para o aparecimento de dúvidas sobre o tema.

Startups e empresas digitais, estão propondo o IPCA como solução frente à alta do IGP-M. Dessa forma, o aluguel seria então tratado como um serviço.

Para Graiche, essa tentativa revela a dificuldade que esses aplicativos encontram para fazer a mediação entre locadores de imóveis e locatários em momentos em que são mais exigidos, como o período crítico da pandemia.

“Existe uma fragilidade e incapacidade de atendimento por parte de empresas digitais, que não apresentam ferramentas e meios adequados de solução de conflitos e para mediar esses acordos, independentemente da época”, declara.

Trocar o índice soluciona a alta do reajuste do aluguel?

Essa solução pode acarretar distorções de mercado onde a vantagem inicial pode resultar em prejuízo entre as partes.

“Daqui a um ano, a realidade pode ser outra, o IPCA também pode vir a subir, o que torna injustificável uma onda de adoção de outro índice”, observa o dirigente da AABIC.

Conclusão

A Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), a maior entidade representativa do setor no Estado de São Paulo, propõe ao mercado brasileiro discutir sobre a adoção de índice em contratos imobiliários e declara-se favorável ao IGP-M (Índice Geral de Preço ao Mercado) como a referência mais apropriada para o cálculo do reajuste de aluguéis.

Recomenda que nesse momento o DIÁLOGO entre as partes seja o caminho de solução. A importância das negociações é exatamente um reforço à confiança no mercado.

Se trata de entender que uma solução vantajosa pode ser alcançada mesmo em tempos de crise.

A VERTI IMÓVEIS reafirma a posição da AABIC e se coloca à disposição dos seus clientes para orientação e suporte ao diálogo.